Apresentação

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A finalidade desse blog é apresentar um estudo erudito de pesquisa sobre a teologia da vida consagrada. Sua finalidade é apresentar uma teologia popular, que todos, religiosos e leigos, possam entender. Mais importante, sua finalidade é ser uma fonte de reflexão e de contemplação que ajudaria principalmente os religiosos a acolher os apelos à conversão na vivencia de sua consagração religiosa. Os assuntos apresentados neste blog podem ajudar a animar e incentivar a vivencia de nossa consagração, mas também servem para nos questionar e desafiar para a renovação de nosso ser e de nosso agir do religioso na Igreja e no mundo.

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Convosco sou cristão, para vós presbítero, Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo

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“Desde que este encargo, do qual tenho de dar apertadas contas, me foi posto sobre os ombros, sempre me perturba a preocupação com esta dignidade. Que se há de temer neste cargo, a não ser que mais nos agrade aquilo que é arriscado para nossa honra do que aquilo que é frutuoso para vossa salvação? Aterroriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco. Pois para vós sou bispo; convosco, sou cristão. Aquele é nome do ofício recebido; este, da graça; aquele, do perigo; este, da salvação.

Enfim, somos sacudidos, como por mar encapelado, na tempestade das decisões a tomar; mas, recordando-vos daquele por cujo sangue fomos remidos, entramos no porto da tranquila segurança deste pensamento; e trabalhando sozinhos neste ofício, descansamos no comum benefício. Se, portanto, mais me alegra ter sido remido convosco do que ser vosso prelado, então, como o Senhor ordenou, serei ainda mais vosso servo, para não me mostrar ingrato diante do preço pelo qual mereci ser vosso companheiro de serviço. Tenho de amar o Redentor e sei o que disse a Pedro: Pedro, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas (Jo 21,17). E isto uma vez, duas vezes, três vezes. Questionava-se o amor e impunha-se o trabalho, porque onde é maior o amor, menor o trabalho.

Que retribuirei ao Senhor por tudo quanto me concedeu? (Sl 115,12). Se eu disser que retribuo por apascentar suas ovelhas, também isto faço,não eu, mas a graça de Deus comigo (1Cor 15,10). Onde então serei retribuidor, se em toda parte me antecipam? No entanto, porque amamos gratuitamente, porque pastoreamos as ovelhas, queremos a paga. Como se fará isto? Como podem combinar-se? Amo gratuitamente para apascentar, e: Peço a recompensa porque apascento? De modo nenhum! De modo nenhum pediria o pagamento daquele que é amado gratuitamente, a não ser porque o pagamento é aquele mesmo que é amado. Se retribuímos a quem nos remiu, apascentando suas ovelhas, que retribuição lhe daremos por nos ter tornado pastores? Pois maus pastores, livre-nos Deus, infelizmente o somos; bons, valha-nos Deus, só o podemos com a sua graça. Por isto também a vós, meus irmãos, prevenimos e rogamos a Deus que não recebais em vão a graça de Deus (2 Cor 6,1). Tornai frutuoso vosso ministério. Sois plantação de Deus (1 Cor 3,9). Recebei de fora quem planta e quem rega; por dentro, aquele que dá o incremento. Ajudai-nos, não só rezando, mas obedecendo; para que nos maravilhe não tanto estar à vossa frente quanto o vos ser útil”.

(Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo – sermo 340,1:PL 38,1483-1484) – Séc V)