Os Dogmas Marianos I

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528691_418500908206761_649671449_nEste tema trata da maternidade divina de Maria, dogma bastante antigo, e do ensinamento sobre a concepção virginal de Jesus por Maria, que recebeu status oficial somente no Concílio de Latrão em 6491. Tornou-se ensinamento solene no ano de 1555, com a Constituição Cum Quorumdam, de Paulo VI2. Estudaremos os dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção no próximo tema. Mas, primeiro diremos algumas palavras acerca da evolução dos dogmas.

A evolução do dogma

Os mistérios da fé expressos em doutrinas e dogmas estão historicamente condicionados. Por isso, seu sentido nem sempre é manifesto para quem se encontra em outro ambiente histórico. As fórmulas dogmáticas trazem marcas do pensamento filosófico e teológico de seu tempo e, por isso, nem sempre são as mais adequadas para todos os tempos e lugares. Seu sentido pode até mesmo mudar de um período histórico para outro. São filtradas por muitas gerações de interpretação teológica e continuam a ser reformuladas. Daí a importância da pesquisa teológica, que aprofunda o conhecimento da verdade revelada3. Quando expressam e formulam o sentido da encarnação divina na historia humana, os teólogos o fazem no contexto de mudanças sociais e à luz das tradições da Igreja. É tarefa de eles refletirem criticamente sobre a experiência de fé, levando em consideração o fato de tal experiência nunca existir em estado puro, mas ser sempre experiência nunca existir num estado puro, mas ser sempre experimentada e interpretada. Faz uso dos símbolos e conceitos de um dado tempo e uma dada cultura. É assim que se corrige e enriquece a expressão reveladora da doutrina da Igreja. É também tarefa do teólogo recuperar um entendimento de dogma que se tenha perdido nos tempos modernos, a saber, que os dogmas absorvem a pessoa toda – mente, sentimentos, corpo – num encontro existencial com a verdade, do contrário nos veríamos apenas repetindo fórmulas.

Para responder à tradição que se concentra em Maria, os teólogos ouvem o movimento da comunidade de fé e dedicam-se à busca de fórmulas que deem sentido ao mistério de Maria na vida da Igreja, tornando-o explícito. Fiéis a essa tradição, esboçaremos o desenvolvimento histórico dos dogmas marianos e realçaremos seu sentido teológico para os dias de hoje.

  1. A maternidade divina de Maria Raízes bíblicas do dogma

Dogmas marianos, a maternidade de Maria tem raízes bíblicas profundas e sólidas. Os capítulos iniciais de Lucas são ricos em simbolismo veterotestamentário. Maria é descrita como a Nova Arca da Aliança, a morada divina que viaja à casa de Isabel. Assim como a Arca da Aliança foi levada de Baala de Judá para Jerusalém, a fim de ser recebida com alegria e louvor (2Sm 6, 2-16), também Maria, a Nova Arca, é saudada pelos saltos da criança no ventre de sua prima. A presença de Deus na arca que todo povo de Israel adorava manifesta-se agora no rosto de todos os seres humanos, por meio do mistério da encarnação. No Antigo Testamento, só o sumo sacerdote tinha acesso à arca; desde o momento em que o Verbo divino fez-se carne em Maria, os seres humanos tornaram-se morada de Deus na terra.

O Novo Testamento refere-se a Maria como mãe na medos que 25 vezes, enquanto apenas dois textos referem-se a ela como virgem (Lc 1, 27; Mt 1, 23)4. É o Filho de Maria que compartilha a divindade do Pai e começa a existir nela no momento da encarnação. O Filho que existia desde a eternidade faz-se carne na carne de

Maria e assume nossa frágil e pobre condição. É ele que nos dá o poder de chamar Deus de Pai e serem filhos de Deus. Como ele, nós também ressuscitamos dos mortos pelo poder do Espírito Santo. Em sua reflexão sobre a maternidade divina, Eamon Duffy sugere que chamar Maria de Mãe de Deus é assegurar que ela é:

A fonte íntima da identidade humana de Deus, que dá a Deus encarnado tudo que a mãe dá aos filhos – sangue, ossos, nervos e personalidade. Em sua concepção e gravidez, o céu e a terra uniram-se acima de qualquer possibilidade de divórcio: aconteceu um milagre estupendo que elevou a natureza humana ao próprio céu (DUFFY, 1998).

Por Alan Lucas
Gestor

1D. SCHÖNMETZER, Enchiridion Sybolorum, Definitionum, Declarationum. Veja tradução J. NEUNER & J. DUPUIS (orgs.). The Christian Faith in the Documents of the Catholic Church, Londres, Nova York, Alba House, 1981, p. 251. Doravante citado como DS.   
2DS 503.
3Gaudium et Spes, 62.
4GEBARA & BINGEMER, Maria, Mãe de Deus e mãe dos pobres, p. 110.

Tema anterior: A participação de Maria no Reino de Deus (IX) – O Magnificat texto que perdura palavra que se expande
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