A participação de Maria no Reino de Deus (VII)

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Pentecostes: Maria é revestida com o poder do alto (Lc 24, 49)

SãoLucasPara Lucas, esse comparecimento de Maria depois da morte de Jesus é importante. A vinda do Espírito Santo e o convite para ouvir a Palavra de Deus e viver essa Palavra em ação compassiva são tão urgentes hoje no mundo de estruturas globais de opressão quanto na era Galileia do século I sob a ocupação romana. Os humildes precisam ter participação na profecia.Foi em Pentecostes que o Espírito desceu sobre ela e os discípulos, inspirando-os com a ousadia para pregar o Evangelho, iniciando desse modo, um movimento que daria testemunho da mensagem de amor abnegado de Jesus. “Nos primórdios da Igreja, juntamente com as outras mulheres ela é portadora de uma nova esperança; é a representante de povo de Israel, o símbolo da fiel Sião. É, igualmente, portadora de um novo Israel, o novo povo, a nova aliança que Deus fez com a humanidade19”.

O Magnificat de Maria: Lucas 1, 46-55

Lucas retrata Maria como a mulher de ação que parte mediatamente e vai “apressadamente” para a região montanhosa, numa viagem profética, visitar sua prima Israel (Lc 1, 39). Sua viagem apressada pela região montanhosa evocou para Santo Ambrósio as boas notícias descritas pelas palavras de Isaías: “Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, que proclama boas-novas e anuncia a salvação” (Is 52, 7)20. A pressa de Maria e a exclamação de louvor de Isabel mostram a alegria exuberante dessas duas futuras mães. Isabel abençoa Maria:

“Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1, 42), palavras que fazem eco ao louvor endereçado a outras mulheres famosas da historia israelita, que ajudaram a livrar do perigo o povo de Deus. Quando Jael extermina um inimigo do povo, a profetisa Débora reza: “Bendita entre as mulheres Jael seja” e Ozias louva Judite depois de sua espetacular derrota do general inimigo: “Bendito sejas, filha, pelo Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra” (Jt 13, 18)21.

Inspirada pelo Espírito, Isabel profeticamente anuncia que “a mãe de meu Senhor” veio visitá-la. Ela é a primeira pessoa no Evangelho de Lucas a confessar Jesus como “meu Senhor” e a saudação “Bendita és tu entre as mulheres” é mensagem que o concílio posterior da Igreja declararia com autoridade: Maria é Mãe do Senhor. Maria e Isabel deviam estar conscientes do papel que representavam na historia da salvação: Maria preparando-se para dar à luz o profeta que prepararia o caminho para esse mesmo Messias. Nas semanas seguintes, as duas mulheres teriam compartilhado suas experiências de gravidez, amparando as jornadas mútuas na fé e compartilhando as preocupações com Israel. Carregam no corpo a compaixão de Deus que profeticamente proclamam e, ao fazer isso, realçam a capacidade feminina de interpretar para outras mulheres a Palavra de Deus.

Por Alan Lucas
Gestor

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19GEBARA & BINGERMER, “Mary”, Systematic Theology: Perspectives from Liveration Theology, Readings from Mysterium Liberationis, Juan Luis SEGUNDO e Ignacio ELLACURIA (orgs.), Maryknoll, NY, Orbis Books, 1993, p. 168.
20JOHNSON, Verdadeiramente nossa irmã, p.315.                               

21JOHNSON, Dangerous Memories, p. 105.

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