A Virgem Maria nos desenvolvimentos pós-conciliares

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Dando continuidade aos temas marianos, volto com essa expectativa de suscitar em nós a devoção consciente a Maria Santíssima.

Redemptoris Mater

250440_437498946314128_532998896_nO Papa São João Paulo II escreveu a encíclica Redemptoris Mater em 1987, na festa da Anunciação, para iniciar o Ano Mariano. O Ano Mariano tinha o propósito de celebrar os dois mil anos do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria. Destinava-se também a ser celebração preparatória para a futura comemoração dos dois mil anos do nascimento de Jesus. A encíclica tem um proposito diferente do de Marialis Cultus, treze anos antes. Seu enfoque é doutrinário, não devocional, embora a reflexão doutrinária tenha o proposito de levar à renovação da devoção. Redemptoris Mater enfatiza a “presença singular da Mãe de Cristo na história”16 e o “dúplice vínculo que une a Mãe de Deus com Cristo e com a Igreja reveste-se de um significado histórico”.17 Finalmente é meditação interior e não exterior à Igreja, que abrange todos os homens.18

Para São João Paulo II, Maria “avançou na peregrinação da fé”, enquanto vivia “de maneira discreta, mas direta e eficazmente, tornava presente aos homens o mesmo mistério de Cristo”. 19

Sua antropologia dualística controla sua interpretação da Escritura. Ele declara que, no cenáculo, no meio dos discípulos em Pentecostes, “onze dentre eles tinham sido constituídos apóstolos; e a estes Jesus tinha transmitido a missão que ele próprio recebera do Pai”.  Então ele observa que “Maria não recebeu diretamente essa missão apostólica”. Ela não estava entre os que Jesus enviou “por todo o mundo para ensinar todas as gentes”. Entretanto, os Atos dos Apóstolos não fazem essa distinção, mas declaram o oposto:

Tendo se completado do dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. […] Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que se exprimissem (At 2, 1.3-4).

O Papa praticamente não faz justiça aos discípulos, homens e mulheres “que haviam acompanhado desde a Galileia” (Lc 23, 49). Lucas afirma que “todos estes, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At 1, 14) e acrescenta que, quando Pedro levantou-se para dirigir-se a ele, “o número das pessoas reunidas era de mais ou menos cento e vinte” (At 1, 15). Todos esses discípulos era parte integrante da comunidade judaica, reunidos em oração no cenáculo.

A vocação apropriada para todas as mulheres é a maternidade, ou a forma espiritual da maternidade que é exercida na virgindade, e Maria viverá essa vocação numa atitude de serviço humilde, como ajudante, auxiliar ou serva. Em Redemptoris Mater, ele faz uma lista dessas virtudes, relacionadas abaixo:

Pode, portanto, afirmar-se que a mulher, olhando para Maria, nela encontrará o segredo para viver dignamente a sua feminilidade e levar a efeito a sua verdadeira promoção. À luz de Maria, a Igreja lê no rosto da mulher os reflexos de uma beleza que é espelho dos mais elevados sentimentos que o coração humano pode albergar: a totalidade do dom de si por amor; a força que é capaz de resistir aos grandes sofrimentos; a fidelidade sem limites, à operosidade incansável e a capacidade de conjugar a intuição penetrante com a palavra de apoito e encorajamento (46).

Conclusão

A decisão tomada no Vaticano II de incluir Maria no documento sobre a Igreja anunciou significativa mudança na teologia mariana. Foi um passo importante numa Igreja que, às vésperas do concilio, chegou quase a divinizar Maria como coautora da redenção.

Embora as duas cartas papais se preocupassem em examinar algumas das questões deixada em aberto pelo concilio, foram à teologia da libertação e as teologias feministas em particular que divulgam e desafio radical de uma releitura da importância de Maria para nossos tempos. Em Marialis Cultus, Beato Paulo VI chamou Maria a primeira e mais perfeita discípula de Cristo.

A teologia marial é cerebral e moralista demais? Como Cristo vivem em solidariedade irrevogável com todas as criaturas, é inevitável que a manifestação desse mistério envolva sua Mãe. Portanto, precisamos de algo, mas que uma mariologia de perfeito discipulado. Como Mãe do Cristo divino e humano, a teologia também precisa entendê-la na presença da graça derramada sobre a criação.

Por Alan Lucas de Lima
Gestor

16 Redemptoris Mater, 3.

17 Ibidem, 5.

18 Ibidem, 40.

19 Ibidem, 19.

Texto anterior: Desenvolvimentos pós-conciliares – Marialis  Cultus

Próximo texto: A participação de Maria no Reino de Deus

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