Especial: comemorando o V Centenário do nascimento de Santa Teresa e sua relação com Agostinho

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Neste ano de 2015, se celebra o quingentésimo ano de nascimento de Teresa d’Ávila dentro dessa celebração, apresentaremos alguns textos comparativos em base a sua relação espiritual com a do Bispo de Hipona, Agostinho.

O lema “para Vós nasci

Como sabemos, o lema “para Vós nasci” é tirado de um dos belos poemas de Santa Teresa, intitulado “Vossa sou, para Vós nasci“. Para, os agostinianos, parece que é uma réplica do famoso pensamento de Santo Agostinho: “Para vós, Senhor, Vós nos fizestes.” Em um dos pensamentos Deus é o princípio e o fim, é o sentido da vida. No entanto, desde que seja analisado, embora com algum detalhe, a diferença entre estas duas expressões é muito grande.

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Agostinho e Teresa d’Ávila | Foto: arquivo pessoal

Santo Agostinho como bom filósofo, se move no plano estrutural do ser do homem, cuja dinâmica ontológico-afetiva é direcionada para Deus, a quem necessariamente se ama, se alguém está consciente disso ou não. O homem está sendo usada em sua entranha ontológica inconsciente a “palavra de Deus impressa” e por ele, portanto, é sempre Deus a quem se busca entre as coisas que são procuradas. “Buscai o que você busca, repetido mil e uma vez Agostinho, mas não esta ali onde busca.” Sobre este fundamento filosófico, Agostinho intensifica sua dedicação a Deus inflamado pela fé. Como pode se observar mostrado, o elemento intelectual é um constitutivo da espiritualidade agostiniana.

Em Santa Teresa, uma mulher autodidata, e que protestou porque as mulheres não tinham permissão para formar nos estudos, o argumento é feito apenas a partir da fé: “Vossa sou, porque me criastes, / Vossa, porque me redimistes, / Vossa, pois a mim que sofrestes, / Vossa, porque me chamastes, / Vossa, porque esperastes, / Vossa, porque não me perdi.”

Evidentemente, há reflexão filosofia ou não, a doação de si mesmo a Deus pode ser igualmente intensa e profunda. São caminhos distintos, mas o resultado final pode ser o mesmo. Pouco importa onde cabe a montanha – símbolo frequente de Deus nas religiões, – e que se contempla paisagens distintas subindo por lugares distintos na mesma montanha. O importante é chegar lá em cima e ‘ver‘.

E nesse ponto coincidem todos os místicos, porém, inclui nesse momento, todo místico ressalta algum aspecto diferente do mesmo. O feitiço de Santa Teresa não é a magia de Santa Teresa, é o feitiço de Deus em Santa Teresa “visto” por ela e que os transpareça aos demais em sua vida e em suas obras. O feitiço de Santo Agostinho não é a magia de Santo Agostinho, é o feitiço de Deus em Santo Agostinho “visto” por ele e outros transpareçam aos demais em sua vida e em suas obras. Creio que não se pode falar de fusão de espiritualidades ou de união de espiritualidades, mas de sintonia afetiva com o Mesmo reconhecido e admirado pelos demais na mística.

Ainda insistimos mais. O Alcorão diz que Deus não tem 100 nomes, pois seria um número perfeito e poderia nomear a Deus. Ele diz que tem 99 nomes para indicar que nenhum deles nem todos juntos não nomeiam. Como sabemos para Agostinho o termo “inefável” nomeia a Deus, pois quando diz é “indizível” parece que esta dizendo algo de que não se pode dizer nada. Talvez o silêncio, pensa Santo Agostinho, poderia dizer algo de que não se pode dizer nada. Trata-se da impotência das palavras para expressar a riqueza infinita, e de essa impotência das palavras fala constantemente pelos místicos. Por esta razão, a maneira de nomear a Deus é sempre simbólica, mas distinta para os místicos, apesar de que tratam de nomear a si Mesmo.

Continua no próximo texto, não percam!

 O próximo tema: O espírito agostiniano de Santa Teresa (1515-1582)

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