O Todo-Poderoso

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Era o ano de 1012. Contando com 2201 passageiros, o maior barco do mundo o “invencível Titanic, que nem Deus podia afundar” colidiu inevitavelmente com um grande iceberg, sem chegar a seu destino.

Esqueceram-se os homens de que o “Senhor é quem dirige os passos do homem”?(Pr 20,24) Quão apropriadas são as palavras do salmista: “Pois não ouvirá quem fez o ouvido? O que formou o olho não verá?” (Sl 93,9) ou a declaração divina que consta no Gênesis “Eu sou o Deus todo-poderoso”.(Gn 35, 11)

Narram os céus a glória de Deus (Sl 18,2)

É inegável que as distintas belezas da criação, desde uma frágil e singela borboleta até o grandioso e imponente sol que silenciosamente anuncia a chegada do dia, de alguma forma falam ao homem de algo que transcende as coisas materiais. Assim explica São Paulo em sua carta aos Romanos: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras. (Rm 1,20)

Conhecida é a sensibilidade sobrenatural com a qual São Paulo da Cruz contemplava as maravilhas da criação e que, sem poder conter sua emoção ante a impressão que aquelas belezas lhe causavam,exclamava docemente enquanto tocava delicadamente, com seu bastão, as flores que se encontravam ao seu alcance: “Calai-vos, calai-vos! Já sei que é de Deus que me falais”

Deus é Todo-Poderoso, Criador e Governador supremo de todas as coisas. Assim o confessamos no Símbolo de nossa fé; “Creio em um só Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra de todas as coisas visíveis e invisíveis…”

Sem embargo, ao longo da história, admiramo-nos com a quantidade de heresias que pretendiam ofuscar o brilho divino da Doutrina Católica, entre as quais aquelas que, sem negar explicitamente a Deus, O concebiam como um ser supremo que, depois de criar todas as coisas, deixou-as ao acaso. Este erro até hoje se manifesta, não somente por palavras mas também por obras, quando o homem pretende atuar à margem dAquele que governa o mundo de acordo com um plano eterno 1 .

Em resposta a tais afirmações, Santo Agostinho declara que Deus, como Governante Supremo de tudo o que existe, não deixou nada sem harmonia. Portanto, nada há que escape de seu poder: nem homem nem anjo, nem o pior de todos os animais; nem sequer a flor de uma árvore existe sem que esteja submetido ao Todo-Poderoso 2 .

De fato, o Catecismo da Igreja define que a onipotência de Deus é universal, pois Ele criou tudo, Ele governa tudo e pode tudo 3. Da mesma maneira, encontramos na Sagrada Escritura: “Senhor, Senhor, rei Todo-Poderoso, em cujo poder estão todas as coisas […]”(Est 4,17)

Assim, sendo Deus o Autor de toda a criação, nada poderia subsistir, nem sequer um instante, se não fosse conservada na existência pela operação do poder divino 4. Comenta Mons João Clá Dias que se Deus pudesse se distrair, esquecer-se e deixar de sustentar alguma coisa em seu ser, esta desapareceria instantaneamente 5. Deus, como Ordenador do Universo, “sustenta o universo com o poder da sua palavra”. (cf. Hb 1, 3)

Narram os Evangelhos que, estando Jesus dormindo na barca que compartilhava com seus discípulos, houve uma grande tempestade e as ondas cobriram a embarcação. O mesmo que dormia placidamente e despreocupadamente, movia majestosamente as águas do mar. Desesperados, os discípulos despertaram Nosso Senhor pedindo que os salvasse. Levantando-se, o Rei do céu e da terra, increpou os ventos e o mar e sobreveio uma grande calmaria. Quem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? “perguntavam uns aos outros. (Mt 8, 23-27)

Por que duvidaram, oh discípulos, se estavam com Aquele que faz tudo o que lhe apraz? (Sl 113,11). A onipotência de Nosso Senhor deve ser, mais do que uma simples admiração, um motivo de confiança sem limites. Por esta razão, Santa Teresinha chegou a exclamar, referindo-se a esta narração evangélica, que ela nunca teria despertado Jesus, mas teria permanecido contemplando-O a dormir.

É essa confiança e esse amor que devemos ter: no meio das maiores tempestades, ainda quando Ele pareça dormir, colocarmo-nos nas mãos de Deus com os olhos fechados, pois Ele sabe tudo e tudo pode, estando atento e mais perto de nós do que podemos imaginar; “ mesmo aí a tua mão há de guiar-me e a tua direita me sustentará”.(Sl 138, 10)

1 TOMÁS DE AQUINO, São. Suma Teológica. II-I, q. 103, a.1.
2 TOMAS DE AQUINO, São. Suma Teológica. II-I, q. 103, a.5.
3 Catecismo da Igreja Católica. So Paulo: Edições Loyola. 1999. C. III, Art. 1, 268. Pág. 80
4 TOMÁS DE AQUINO, São Suma Teológica. II-I, q. 104, a.1.
5 CLA DIAS, João Scognamigilo. Palestra. São Paulo, 25 de abril de 2002.

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