Relíquias: o corpo físico tocado pela santidade

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relíquia de Nhá Chica
Relíquia da Beata Nhá Chica «ex ossibus» (dos ossos), portanto de primeiro grau, da Beata Francisca Paula de Jesus – Nhá Chica, beatificada em Baependi/MG – Brasil, no dia 04 de maio 2013. | Foto: Arquivo pessoal

Que religião manteria guardados os ossos de pessoas mortas, colocando-os em exposição e esperando que as pessoas viessem beijá-los? O que são as relíquias e por que são tão importantes para os católicos? Eles realmente acreditam na autenticidade destas relíquias?

Uma relíquia é algo associado a uma pessoa que foi canonizada ou beatificada, sendo portanto santa. Existem três categorias de relíquias: uma relíquia de primeira classe é um pedaço dos restos mortais da pessoa. Pode ser um fragmento de osso, cabelo, pele ou sangue. A relíquia é extraída quando o corpo do santo é exumado como parte do processo de canonização. A exumação da Beata Francisca Paula de Jesus – Nhá Chica, aconteceu em junho de 1998.

Uma relíquia de segunda classe é algum objeto ou parte de um objeto que foi regularmente usado pelo santo durante sua vida terrena. Há muitas relíquias de segunda classe. Podem ser pertences do santo, como roupas, móveis… como aqueles que podemos visitar na Casa onde morou a Bem-aventurada Francisca Paula de Jesus ou no seu Memorial, em Baependi/MG.

Uma relíquia de terceira classe é um pedaço de pano que tocou uma relíquia de primeira classe. Relíquias de terceira classe são normalmente incluídas como partes de cartões de oração produzidos em massa e itens de devoção. Um pano toca a relíquia de primeira classe, em seguida, retiram-se em vários pedaços para que um grande número de pessoas possa ter contato físico com o santo.

Uma relíquia é venerada quando seu relicário é beijado pelo devoto ou quando ele beija os dedos e toca a urna. Isso é feito como parte dos serviços religiosos em honra do santo. Os católicos acreditam que o mundo físico é importante. Quando uma pessoa se torna santa, tudo relacionado a ela é tocado por essa santidade. A santidade permeia até mesmo o mundo físico.

A veneração dos santos começou na Igreja primitiva. Quando os cristãos eram martirizados, seus restos mortais eram recolhidos e honrados. No ano 156 d.C., os cristãos na cidade de Esmirna registraram o que eles fizeram com os restos de seu amado bispo Policarpo, que tinha sido morto: «Nós recolhemos os seus ossos, que são mais valiosos do que pedras preciosas e mais finos do que ouro refinado, e os colocamos em um local adequado, onde o Senhor nos permitirá reunir-nos, na satisfação e na alegria, para comemorar o aniversário de seu martírio».

O costume de honrar os mortos em santidade começou com a celebração do seu aniversário de falecimento. Desde os primeiros dias da fé, os católicos têm honrado os mortos em santidade por meio da veneração dos seus restos mortais.

Além do mais, o culto às relíquias é bíblico e vem desde o povo hebreu:

«Moisés levou os ossos de José, porque José havia feito os filhos de Israel prestarem um juramento, quando disse: “Deus certamente virá em auxílio de vocês; levem então os meus ossos daqui» (Ex 13,19).

«Depois morreu Eliseu, e o sepultaram. Ora, as tropas dos moabitas invadiram a terra à entrada do ano. E sucedeu que, enterrando eles um homem, eis que viram uma tropa, e lançaram o homem na sepultura de Eliseu; e, caindo nela o homem, e tocando os ossos de Eliseu, reviveu, e se levantou sobre os seus pés» (2Rs 13,20-21).

«E eis que uma mulher que havia já doze anos padecia de um fluxo de sangue, chegando por detrás dele, tocou a orla de sua roupa; Porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua roupa, ficarei sã. E Jesus, voltando-se, e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E imediatamente a mulher ficou sã» (Mt 9, 20-22).

«De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles» (At 5,15).

«De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam» (At 19,12).

E afirma Sant Agostinho, no século IV: «Não há, pois, superstição alguma nas peregrinações do povo cristão a certos lugares em que Deus faz milagres pelas relíquias ou imagens dos santos».

Os católicos são ingênuos por acreditar em relíquias? Não. Nós avaliamos a autenticidade das relíquias como faríamos com qualquer objeto histórico. Algumas relíquias são falsas, outras são definitivamente verdadeiras. A veracidade de outras ainda permanece incerta. Para uma relíquia ser venerada em público, o proprietário deve ter a documentação oficial considerando-a «autêntica». O selo de autenticidade é dado pelo bispo quando as relíquias são produzidas. A autenticidade pode ser verificada por especialistas para garantir que ela é genuína.

por Pe. Jean Poul

Mais sobre a Beata Nhá Chica:

Santos que intercedem por nós: Beata Francisca de Jesus (Nhá Chica), †1895
Beata Nhá Chica, o seu Batismo: início do caminho da santidade

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