Santo Agostinho e o Maniqueísmo

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O maniqueísmo, ao qual santo Agostinho aderiu durante uns anos antes de sua conversão, distinguia dois princípios-causas de todas as coisas: um, bom, a Luz, ao qual se dava o nome de Deus; e outro, mal, as Trevas. Todas as coisas boas eram atribuídas à Luz, e as coisas más (as materiais inclusive o corpo humano), às Trevas. Enquanto esteve seduzido por esta seita (não chegou a fazer parte dela: foi apenas um auditor) durante nove anos (de seus 19 aos 28 anos de idade) teve assim uma explicação fácil da origem de todos os males e uma desculpa para seus pecados, pois todo mal (também os pecados) devia seu princípio no mal (as Trevas) que agiam por meio dos demônios. Já um pouco antes de sua conversão, intelectualmente santo Agostinho viu não haver coisas más, senão que tudo o que existe é em si bom e criado por Deus do nada (=ausência total de ser), isto é, que não o fez de sua substancia nem utilizou qualquer coisa previa para criar o que criou. A razão de por que Deus criou o céu e a terra, isto é, tudo, está unicamente em sua vontade acima da qual não há nenhuma causa nem nada.

Santo Agostinho não presta muita atenção ao mundo: sempre o refere a Deus. Deus criou tudo com medida, número e peso. Todas as coisas, ao contrário de Deus que é imutável (=eternidade de Deus), são mutáveis (daí vem o tempo); do qual se deduz que se compõem de matéria e forma. Isto é o que distingue umas coisas de outras; a matéria é algo informe, através do qual umas coisas se transformam em outras pela ação de Deus. Há graus de perfeição nas coisas e todas provem de Deus e participam de suas perfeições em distintos graus. O mundo não foi criado no tempo, mas com o tempo: não existia nada, nem o tempo, antes da criação (no século XX, Einstein alcançou ver o mesmo, ainda que não mencione a Deus). Só existia Deus em sua eternidade imutável, sem princípio nem fim; o tempo vem depois com as coisas mutáveis. Deus criou primeiro a matéria informe na qual introduziu as rationes seminales ou causales das demais coisas, que se formarão e existirão depois SEMPRE SOB A AÇÃO DE DEUS;portanto, santo Agostinho é evolucionista moderado, não transformista, intuindo a teoria que vai tendo mais adeptos nos cientistas de hoje. Por último: a) Deus controla todas as coisas, que retornariam ao nada se Ele não as conservasse em seu ser; b) o mundo (=universo) não é eterno (por fim, a ciência alcançou entendê-lo no século XX); não ocorrem os acontecimentos de uma maneira necessária ou fatal, pois Deus controla tudo, que, à diferença dos humanos, sabe perfeitamente tudo o que vai acontecer; portanto, a astrologia é um engano e as coisas não ocorrem de um modo necessário (=fatalismo), mas sob a égide de Deus onipotente.

Padre José Antonio Galindo Rodrigo, OAR

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