Resenha do Compêndio de Teologia, de São Tomás de Aquino

Publicado em Atualizado em

Escrito no fim da vida de São Tomás

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O Compêndio de Teologia resume algumas das principais doutrinas do Aquinate. Questões relativas à Trindade, do Filioque e sobre a perfeição de Deus são esclarecidas logo no início do livro. A linguagem utilizada por São Tomás é simples, da mesma forma como os exemplos de fenômenos da natureza, como o fogo, o qual ele se refere repetidas vezes. São Tomás tinha concepções errôneas em filosofia herdadas de Aristóteles como, por exemplo, a redução da mulher a um papel passivo, pois o filósofo grego acreditava que o sêmem do homem gerava a alma, e a mulher, o corpo. São Tomás repete esse erro, assim como adotou com algumas reservas o universo Ptolomaico, negando, porém, que os astros tivessem algum poder sobre o destino do homem. Seu maior equívoco foi em relação à Imaculada Conceição da Virgem Maria, exibindo um pensamento contraditório e titubeante. Foi outro escolástico, Duns Scot, que corrigiu o erro de São Tomás e estabeleceu o Dogma.

 São Tomás confirma em sua última obra, as grandes conquistas da filosofia cristã da patrística e da escolástica. O livre-arbítrio, uma das grandes afirmações do cristianismo de Santo Agostinho, é esclarecido de forma definitiva por São Tomás. Da herança grega de Aristóteles, veio o conceito de ato e potência, e de forma e substância. Da filosofia árabe, por intermédio de Avicena, veio uma nova forma para a questão do intelecto possível e do intelecto agente.

O intelecto possível e o intelecto agente definem a questão do conhecimento e da inteligência na filosofia Tomista. O intelecto possível recebe das coisas sensíveis as formas inteligíveis. A inteligência humana conhece as coisas de forma universal e imaterial. O intelecto agente se faz necessário, pois o homem adquire o conhecimento não das formas em ato, como ensinava Platão, mas das formas sensíveis por meio dos sentidos. É o realismo da filosofia aristotélico-Tomista.

São Tomás refuta a teoria de Averróis da unidade do intelecto possível, pois a inteligência é multiplicada na mesma quantidade de números de homens. Estabelecida nessa obra também a existência de apenas uma alma, ao contrário do que acreditava Santo Agostinho, por exemplo.

Uma questão também muito profunda discutida por São Tomás é a refutação da eternidade do movimento. Admitir essa possibilidade é fazer a ação de Deus depender do movimento de seres intermediários, e de um processo infinito. A metafísica Tomista define que Deus é indiferente ao tempo, e tudo o que deve acontecer não deve ser questionado por que agora e não antes, pois isso é um erro. Da mesma forma o mundo estabelece o tempo e a noção de lugar, pois antes do mundo nada existia, senão Deus, e fora do mundo não há outro corpo.

Recomendo muito esse livro para quem quer se aprofundar na filosofia escolástica e na Metafísica. A união da filosofia de Aristóteles com à teologia de São Tomás gerou um pensamento racional, lógico e não ultrapassado até hoje.

Felipe Pimenta

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